sexta-feira, 31 de outubro de 2008

Hamilton virou piloto low profile

por Livio Oricchio

Foz pausada, volume baixo e respostas quase sempre monossilábicas. “Sim, não, talvez, concordo.” Olhar distante e expressão de quem está voltado, essencialmente, para si próprio. Esse é o estilo “low profile” assumido por Lewis Hamilton nas últimas etapas do campeonato. Ontem, em Interlagos, sua nova forma de encarar a Fórmula 1, em especial a decisão do título, foi o que mais chamou a atenção no autódromo que está pronto, bonito até, para os primeiros treinos livres do GP do Brasil, hoje. “Para mim é apenas mais uma corrida”, afirmou o inglês da McLaren.

Ano passado, Hamilton se apresentou para a etapa decisiva do Mundial, também em São Paulo, bem diferente de ontem. Sugeria estar pouco concentrado. Agora é o oposto. “Tudo era novidade para mim, estava deslumbrado com a mudança radical na minha vida, senti a pressão”, disse Hamilton, em Fuji. Um dos responsáveis por apressar a maturidade do piloto de 23 anos é o chefe da McLaren, Martin Whitmarsh, o que aumentou significativamente as suas chances de ser o mais jovem campeão da história.

“Nos conversamos bastante, mas diria que o maior responsável por essa transformação é ele mesmo. Hamilton aprendeu dominar seus instintos de piloto, de buscar a vitória a qualquer custo”, explica Whitmarsh. O médico finlandês Aki Hintsa é outro integrante da equipe que cuida do piloto. “Realizamos um trabalho nas áreas física e mental. Lewis cresceu de verdade.” As reações de Hamilton sugerem mesmo maior controle emocional: sua vitória na China, há duas semanas, foi irretocável. “Disputar a etapa final da Fórmula 1 é bem parecido com todo campeonato que participamos”, falou, ontem, o piloto.

Apesar do inegável avanço na sua capacidade de concentrar-se, na prova de Fuji, dia 12, Hamilton comportou-se como o que perdeu o título mais fácil da história ano passado, em Interlagos, ao errar depois da largada. “Aqui eu não preciso vencer, a pressão não está sobre nós.” De fato, seu adversário, Felipe Massa, só garante o título se for primeiro ou segundo e ainda assim dependerá de Hamilton não se classificar em quinto ou sétimo.

Uma das maneiras que Hamilton encontrou para pensar apenas na decisão do título é desligar-se de tudo. Sua agenda promocional previu apenas dois compromissos antes de começar, hoje, pilotar sua McLaren nos 4.309 metros. Ontem, por exemplo, ao lhe perguntarem o que pensava da declaração de Eddie Jordan, ex-dono de equipe, de que teria de tomar cuidado com o jogo sujo na corrida, respondeu: “Eu não leio muito sobre o que as pessoas dizem, não presto atenção. Estamos aqui para correr e acredito que todo piloto que está aqui é um profissional do esporte, portanto tenho de acreditar que teremos uma disputa justa.”

Os treinos livres, hoje, começam às 10 horas. Os pilotos terão uma hora e meia para acertar seus carros. E à tarde, a partir das 14 horas, outra sessão de uma hora e meia. Já para hoje está prevista a presença de um grande público. A decisão do Mundial está gerando enorme interesse da torcida.

quinta-feira, 30 de outubro de 2008

Título pode depender de "São Thiago"

por Livio Oricchio

O Brasil não é campeão do mundo na Fórmula 1 desde 1991. Felipe Massa tem a chance de conquistar o título domingo, em Interlagos, no GP do Brasil, diante de sua torcida. Este ano há um histórico de corridas definidas pelas decisões dos comissários desportivos e um deles, da etapa final do Campeonato Mundial, é o brasileiro Élcio de São Thiago.

A pergunta é inevitável: dá para ser isento? “Se você aceitou ser juiz tem, então, de cumprir a lei, não há nacionalidade. Se algum piloto brasileiro fizer coisas erradas, eu vou punir”, afirma Élcio, designado pela Confederação Brasileira de Automobilismo (CBA) à Federação Internacional.

“Já passei por isso”, lembra Élcio. “Puni o Rubens Barrichello, Pedro Paulo Diniz. Seria muito ruim se o Felipe Massa soubesse que há alguém que lhe permite fazer o que quiser.” A autoridade esportiva da competição é dos três comissários escalados. No caso da importante etapa de São Paulo serão, além de Élcio, o alemão H. Tomczyck e o inglês C. Calmes.

Acompanharão os treinos livres, amanhã, a classificação, sábado, e as 71 voltas da corrida, domingo, dispondo de imensos recursos tecnológicos, capazes de lhes oferecer detalhes precisos do comportamento dos pilotos. E, dependendo do que ocorrer na pista, os três poderão ser decisivos para a definição do campeão do mundo.

“O critério para o veredicto é o da maioria simples. São três cabeças. Se duas tiverem a mesma opinião, está resolvido”, explica Élcio. Estranhamente, os comissários podem nunca ter trabalhado juntos. Os três contarão, ainda, com a orientação do advogado inglês Alan Donnely, representante do presidente da FIA, Max Mosley, mas sem direito a voto na comissão.

“Não conheço o currículo deles, imagino que tenham começado no kart também e possuam 40 anos de automobilismo, não sei”, comenta Élcio, profissional da área desde 1968. “O alemão já esteve aqui, ano retrasado, é de falar muito pouco.” Ao contrário, por exemplo do futebol, em que se recomenda que juiz e bandeirinhas trabalhem com critérios de julgamento semelhantes, provenham da mesma cultura, na Fórmula 1, segundo Élcio, o fato de terem tempo para assistir às imagens das manobras duvidosas de diferentes ângulos, até diante dos acusados, torna sua missão menos difícil, daí a não obrigação de falarem a mesma língua.

“Uma ocasião ficamos até as 9 horas da noite porque um dos comissários, indiano, ficou vendo as imagens várias vezes”, diz Élcio.

“Se os comissários entendem de corrida, reconhecem quando houve ou não maldade, pois sabem como o piloto tem de se comportar”, comenta. “Já os casos de malandragem são os piores de serem interpretados.” O comissário explica que convocam os acusados à torre de controle e, diante das mesmas imagens, solicitam sua interpretação. “O que acho incrível é que os pilotos de F-1 se comportam como os de kart, coisas do tipo não vi a bandeira...”

O diretor de prova é o brasileiro Carlos Montagner. Dirige, também há muitos anos, as corridas da Stock Car. Sua visão sobre como deve ser o colégio de comissários difere da de Élcio. “Temos um comissário fixo e dois que variam a cada etapa. Penso ser importante um deles acompanhar todas as corridas, as decisões tornam-se mais criteriosas.” Os pilotos de F-1 solicitam isso: a volta do comissário fixo, como existia em 2007 e enfrentavam menos problemas.

Ayrton Senna: 20 anos do primeiro título

Estamos às vésperas de mais uma decisão do campeonato e hoje completam-se 20 anos do primeiro título do inesquecível Ayrton Senna, vencendo ninguém menos que Alain Prost, num duelo maravilhoso no GP do Japão em 1988.

Foi uma temporada onde prevaleceu o domínio de uma única equipe: a McLaren, com seu motor Honda Turbo venceu quinze das 16 corridas disputadas. Só não ganharam todas em razão de um incidente de Senna com Jean-Louis Schlesser em Monza, deixando a vitória para a Ferrari, com Berger em primeiro e Alboreto em segundo, fazendo dobradinha.

Ron Dennis e sua equipe tiveram um absoluto domínio: o mundial de construtores, marcaram 199 pontos contra 65 da Ferrari. E a soma de pontos das outras equipes não atingiu o que a McLaren fez na temporada.

Veja no vídeo a corrida e relembre este momento maravilhoso da carreira de Ayrton Senna.


quarta-feira, 29 de outubro de 2008

Raikkonen: Ferrari deve refletir os erros deste ano

Campeão da Fórmula 1 em 2007, Kimi Raikkonen afirmou que a Ferrari precisa aprender com os erros que cometeu na atual temporada, a fim de tornar-se mais forte no futuro. A equipe italiana falhou tanto no carro do finlandês quanto no do brasileiro Felipe Massa, que ainda disputa o título.

Desde o fim da temporada passada, ele não conseguiu muitas coisas positivas. Todos tem de analisar os detalhes do que aconteceu e de alguma forma, aprender baseados nos erros para melhorar visando o próximo ano.

Raikkonen prevê muito trabalho para a equipe entre o fim da atual temporada - no dia 2 de novembro, em Interlagos - e o início da próxima, na Austrália, em março de 2009.

Com as regras novas para a próxima temporada o ideal é que rabalhar muito nesse período. Não consegui conquistar o título deste ano, mas tenho certeza de que lutarei novamente para vencer em 2009", disse o finlandês.

Entre os principais erros da Ferrari na atual temporada estão os problemas no reabastecimento de Felipe Massa nos GPs de Canadá e Cingapura, e a quebra do motor do brasileiro na Hungria. Raikkonen, por sua vez, teve um problema de escapamento na França, e quebras de motor na Austrália e em Valência

É aguardar para ver.

A decisão do título deverá ser limpa

Por Livio Oricchio

Foram muitos os comentários, depois do GP da China, de que Kimi Raikkonen, Heikki Kovalainen e até Rubens Barrichello poderiam ser decisivos para Felipe Massa ou Lewis Hamilton conquistarem o título, domingo em Interlagos. Raikkonen, como parceiro de Massa, encontraria uma maneira de se envolver numa disputa com Hamilton e, de alguma forma, impedi-lo de seguir adiante na corrida. Assim Massa, se vencesse ou fosse segundo, se tornaria campeão do mundo.

Kovalainen faria o mesmo com Massa, que fora da prova garantiria a Hamilton a conquista do seu primeiro título. O piloto da Ferrari tem de ser primeiro ou segundo colocado e ainda depende da classificação de Hamilton. Bate-papos entre torcedores sugerem até que Rubinho colaboraria com o amigo Massa ao discretamente prejudicar Hamilton na pista e, assim, poderia se despedir da Fórmula 1, caso não renove com a Honda ou encontre patrocinadores para correr na Toro Rosso, sendo decisivo para Massa ser campeão.

Amigos, nada disso vai acontecer. Pode até ser que Hamilton ou Massa não terminem a última etapa da temporada, mas será por incidente de competição e não porque a Ferrari instruiu Raikkonen a deliberadamente colocar Hamilton para fora da pista. Ou a McLaren ordenou Kovalainen a fazer o mesmo com Massa. Menos ainda Rubinho aceitaria qualquer sugestão, seja lá de quem for, para agir duro com o inglês para facilitar a vida de Massa.

Se Hamilton e Raikkonen dividirem uma freada, faz sentido acreditarmos que o finlandês não irá arrefecer, não irá tirar o pé do acelerador, a fim de deixar a iniciativa para o adversário de seu companheiro de equipe. O mesmo se espera de Kovalainen em relação a Massa. E nisso podem até tocar rodas. Mas não imaginemos, por favor, que Raikkonen ou Kovalainen, os dois finlandeses, vão pilotar à lá Michael Schumacher em Adelaide, em 1994, e Jerez de la Frontera, 1997.

Nas duas ocasiões, conscientemente, o alemão lançou seu carro na direção da Williams de Damon Hill, em 1994, e de Jacques Villeneuve, em 1997. Na primeira colou. Apesar da indignação de muitos na Fórmula 1, Schumacher, então na Benetton, celebrou o título. Já em 1997, na Ferrari, a FIA lhe retirou o vice-campeonato como punição.

Raikkonen, Kovalainen e Rubinho não têm o mesmo talento de Schumacher, o piloto mais completo que vi correr, mas possuem caráter bastante distinto. Surpreenderão o mundo se em Interlagos agirem antidesportivamente.

quinta-feira, 23 de outubro de 2008

Di Grassi pode correr pela Renault em 2009!

Terceiro piloto da Renault e destaque da GP2 este ano, Lucas Di Grassi está a um degrau da Fórmula 1 e mostra total confiança de que dará o passo decisivo para a principal categoria do automobilismo já em 2009.

Di Grassi está na equipe francesa há cinco anos. Ele faz parte do programa de jovens pilotos e tornou-se o segundo do projeto a chegar à F1 - como piloto reserva e de testes, em 2008. O primeiro foi o finlandês Heikki Kovalainen, hoje na McLaren.

O piloto afirmou ter um bom relacionamento com a Renault e com o chefe da escuderia, Flavio Briatore, e considera que a equipe está satisfeita com seu desempenho.

Segundo ele, a decisão sobre os pilotos da Renault para 2009 será tomada após o fim do campeonato, que termina dia 2 de novembro, com o Grande Prêmio do Brasil. A equipe conta atualmente com o espanhol Fernando Alonso e o brasileiro Nelsinho Piquet. Outras equipes aguardam a definição do futuro de Alonso para fechar suas formações para o ano que vem.

Uma das chances para Di Grassi é entrar na vaga de Nelsinho e sua relação com ele é boa. Essa possibilidade existe substituí-lo, mas sabemos que isso vai depender de outros fatores.

Di Grassi disputou a GP2, principal categoria de acesso à F-1, nas últimas três temporadas. Após o 16º lugar em 2006 e o vice-campeonato em 2007, ele foi o terceiro colocado este ano, a um ponto do vice-campeão Bruno Senna, mesmo não tendo disputado as seis primeiras provas da temporada.

Em 2008, Di Grassi teve a oportunidade de acompanhar a F-1 de perto e a experiência lhe fez entender como funciona a categoria.

Ele tem talento e já mostrou isso. Agora o que desejamos é que ele tenha a oportunidade de mostrar isso na F1.

Mudança de rumos para 2009... será?

A Federação Internacional de Automobilismo (FIA) e a Associação de Equipes de Fórmula 1 (Fota) acertaram nesta terça-feira medidas para reduzir custos na categoria para as temporadas de 2009 e 2010.

Em breve nota, a FIA disse que tudo foi acertado num encontro realizado na cidade suíça de Genebra, mas não detalhou as mudanças.

De acordo com o documento, a Fota está trabalhando com celeridade em novas propostas para as próximas temporadas.

A FIA acredita que os atuais custos da Fórmula 1 são insustentáveis e explica que as equipes, inclusive antes dos atuais problemas financeiros mundiais, gastavam acima de suas receitas, que obtêm através de seus patrocinadores e do dinheiro que recebem da FOM.

Esta situação, segundo a FIA, faz com que as equipes independentes estejam dependendo da boa vontade das escuderias ricas enquanto as equipes construtoras dependem maciçamente dos lucros das empresas que lhes patrocinam.

Se esse acordo prevalecer, todos acabam ganhando, principalmente o torcedor.

terça-feira, 21 de outubro de 2008

Rubens Barrichello nega despedida em Interlagos


Prestes a disputar seu 16º e possivelmente último GP Brasil, já que ainda não tem equipe para correr no ano que vem, Rubens Barrichello insiste que não pretende fazer da corrida em São Paulo um adeus.

"Não vou encarar como uma despedida, para mim vai ser apenas mais um GP Brasil", falou o piloto da Honda, que completou o GP da China ontem na 11ª posição - 14º na classificação geral, com 11 pontos.

"Não vou nem pensar nisso. Vou chegar com tudo e se conseguir fazer uma boa corrida, quem sabe não consigo até marcar um ponto", falou ele.

Para o piloto brasileiro, anunciar a aposentadoria antes da corrida em Interlagos seria "antecipar demais as coisas".

"Festa de despedida por festa de despedida depois um dia posso fazer um Rubens Barrichello Day Special que com certeza vai ter muita gente me prestigiando", afirmou ele.

De acordo com o brasileiro, recordista de corridas disputadas na F-1, nos próximos dias ele trabalhará atrás de conseguir patrocínio para pleitear uma vaga na Toro Rosso, que está exigindo entre US$ 6 milhões e US$ 10 milhões para "ajudar o time a crescer".

"Esta é uma chance real e tenho um grupo de pessoas trabalhando para isso, além de o meu trabalho com a Honda para tentar ficar", afirmou o brasileiro, que chegou a se emocionar na entrevista ao falar sobre sua carreira.

Massa campeão. Dificil, mas possível, sim.


Por Livio Oricchio

Cheguei em Frankfurt, minha base de operações na Europa, depois de longa viagem procedente de Xangai, via Ulan Bator, Mongólia, Novosibirsk, Sibéria, e Moscou. Aqui pelo menos está mais quente, 12 graus.
O texto a seguir é o da minha última coluna no Jornal da Tarde.
Abraços

Início

A vantagem de Lewis Hamilton para Felipe Massa na classificação do Mundial é de 7 pontos, 94 a 87, e há apenas 10 em jogo na última e decisiva etapa do campeonato, dia 2 em Interlagos. A fatura está liquidada, Hamilton pode começar a celebrar a conquista do seu primeiro título?

Com toda certeza, não. As chances de Massa ser campeão existem e são até um pouco maiores que os números sugerem. Em primeiro lugar, se o jovem inglês da McLaren conseguir o título, será mais que merecido, como se Massa da mesma forma for campeão. Os dois foram os melhores do Mundial ao lado de Robert Kubica.

Mas não será assim tão simples para Hamilton, apesar de necessitar apenas de um quinto lugar para independemente do que fizer Massa comemorar a conquista. Apesar do isolamento a que se submete nesses dias, como disse ontem na entrevista depois da corrida, não há como Hamilton ao menos não se lembrar, em Interlagos, do imenso drama vivido em 2007 com a perda de um título quase já definido, como agora.

Se apresentou para a prova de São Paulo com os mesmos 7 pontos de vantagem, só que para Kimi Raikkonen, companheiro de Massa. E voltou para casa, na Inglaterra, apenas com o vice. Seu trabalho no fim de semana em Xangai foi perfeito. Foi quase sempre o mais veloz na pista e ontem pilotou como um campeão, rápido, seguro, decidido.

O problema de Hamilton é quando ele se posiciona atrás de um concorrente que, se chegar à sua frente, pode comprometer sua conquista. Ontem não foi o caso e ele esteve irrepreensível. Já em Interlagos, ano passado, foi o que aconteceu, bem como há pouco mais de uma semana no GP do Japão. E a Ferrari deverá ser bem mais competitiva no GP do Brasil do que foi no da China. Tem sido assim nos últimos anos, seu carro se adapta melhor que os demais aos 4.309 metros da pista de São Paulo.

Hamilton vai correr também com o mesmo motor de ontem, em Xangai, num circuito localizado a 800 metros de altura, onde a densidade do ar é menor. A solicitação mecânica é maior. Massa pode competir com um motor novo.

Mais: Kimi Raikkonen tem se mostrado mais eficiente e ganhou em Interlagos, em 2007, quando foi campeão do mundo, o que pode, como ontem, favorecer Massa, um especialista em Interlagos, vencedor da prova em 2006. Já Heikki Kovalainen, parceiro de Hamilton, não o acompanha nem de perto, o que torna mais difícil ser útil ao time.

É por tudo isso que apesar do favoritismo do inglês da McLaren, por causa da posição privilegiada na classificação, uma vitória final de Massa não é realidade tão distante. Apenas menos provável. Massa vencer a corrida é algo bem tangível e Hamilton ter uma dificuldade técnica, errar ou envolver-se num incidente é também possível.

segunda-feira, 20 de outubro de 2008

Piquet: 25 anos do bi-campeonato!

Quinze de outubro de 1983. Num sábado, no circuito sul-africano de Kyalami, Alain Prost, Nelson Piquet e René Arnoux decidiriam o título do Mundial de Pilotos de Fórmula 1. Um dos três teria o privilégio de ser o primeiro piloto a ganhar um campeonato com um carro movido a motor turbocomprimido e a disputa prometia muito. Prost fora o dominador absoluto de grande parte da temporada, mas Piquet e Arnoux conquistaram vitórias e deram muito trabalho - especialmente o brasileiro, com uma reação fulminante nas corridas anteriores em Monza e Brands Hatch.

Pelo menos, o clima que existia na época era extremamente amistoso e Piquet e Prost chegaram a jantar juntos - algo impensável nos dias de hoje. O bate-papo sem dúvida serviu para amenizar as escaramuças de bastidores que a imprensa plantava entre Renault e Brabham, com os franceses acusando os alemães da BMW de utilizar combustíveis de foguete desenvolvidos pela Wintershall para seus motores - o que nunca foi provado.

Para a última corrida do ano, o grid tinha duas baixas: com a situação financeira precária, Teddy Yip retirou a Theodore Racing da temporada e não viajou para a África do Sul, deixando a pé o colombiano Roberto Guerrero e o venezuelano Johnny Cecotto. A Spirit também se ausentou com Stefan Johansson, mas por um motivo nobre: o motor Honda faria sua estréia na Williams com o novíssimo FW09 para Keke Rosberg e Jacques Laffite. Um batismo de fogo e tanto para os dois carros. E pela primeira vez no ano, todos os 26 inscritos largariam, inclusive a RAM March de Kenny Acheson.

Treinos

A guerra psicológica da classificação foi a princípio vencida por Nelson Piquet, embora o brasileiro não tivesse conseguido a pole position. Patrick Tambay, carta fora do baralho desde o GP da Europa, marcou o melhor tempo, virando em 1′06″554 contra 1′06″792 do piloto da Brabham. Riccardo Patrese, com um carro perfeito e muito rápido, conseguiu se infiltrar entre os rivais diretos de Nelson, ficando na frente de René Arnoux e Alain Prost no grid.

Keke Rosberg foi brilhante com o novo Williams Honda e fez o 6º tempo, mostrando não só que era um piloto rápido como também que o conjunto, com desenvolvimento, poderia ser muito competitivo. Um bálsamo e tanto para quem, do meio da temporada em diante, só classificou do décimo lugar pra trás. E com dezessete carros equipados com motores turbo ocupando os 17 primeiros lugares, o melhor dos “convencionais” foi Michele Alboreto, em décimo-oitavo. Na sua última corrida pela Ligier, Raul Boesel classificou-se em 23º, na frente de Kenny Acheson e dos dois Osella Alfa Romeo que fecharam a raia.

Corrida

Horas antes da corrida, num sábado, aconteceu o treino de aquecimento onde as equipes fizeram os últimos ajustes para a largada. Foi aí que a Brabham, numa cartada de mestre, definiu a estratégia suicida que mudaria a história da corrida. Ao contrário do que Renault e Ferrari imaginavam, Nelson Piquet é quem daria o bote, largando bem leve e disparando na ponta, enquanto Riccardo Patrese, a quem imaginavam que seria o “coelho” do brasileiro, faria o papel de fiel escudeiro. Um Sancho Pança a 300 km/h.

Disparado o sinal verde, autorizando a largada, Piquet arrancou feito uma flecha, para espanto de franceses e italianos. Patrese cumpriu à risca a tática e passou para segundo, deixando Tambay para trás. Andrea de Cesaris, totalmente alheio ao que acontecia na dianteira, largou muito bem e foi de nono para quarto. Alain Prost passou a primeira volta em quinto e René Arnoux, em sétimo.

Enquanto Tambay perdia posições para de Cesaris e Prost, outro piloto começava a dar show em Kyalami: Niki Lauda, décimo-segundo no grid, passou Cheever, de Angelis, Rosberg e Arnoux para chegar aos seis primeiros colocados. Na nona volta, o austríaco da McLaren também passou Tambay e veio para a quinta posição.

Correndo em oitavo, Arnoux foi o primeiro a cair na armadilha da Brabham. Enquanto Piquet corria solitário na ponta, o francês encostava nos boxes e abandonava a disputa. Agora, restavam o brasileiro e Alain Prost para discutir o título. E com o resultado da pista até aquele momento, Piquet era campeão.

Lauda, possuído como nos velhos tempos, seguia dando espetáculo. Na 12ª volta, ele passou a Alfa de Andrea de Cesaris e foi pra quarto, impondo uma enorme pressão a Alain Prost. Pouco depois, o francês perdia mais uma posição na corrida, deixando Piquet em situação ainda mais confortável na luta pelo título.

A situação permaneceu assim, com Piquet disparado em primeiro, Patrese de escudeiro e Lauda de coadjuvante de luxo, ocupando as três primeiras posições, até a 34ª volta, quando Lauda foi aos boxes para reabastecer e trocar pneus, voltando para a pista em sétimo. Logo depois, foi a vez do pit stop de Prost, e enquanto os mecânicos da Renault tratavam de efetuar o abastecimento, o francês já batera no cinto e abandonava a disputa: o motor não agüentou o esforço e quebrou.

Com o plano cumprido perfeitamente, a dobradinha da Brabham perdurou inclusive quando Piquet e Patrese foram aos boxes, sem sustos, para cumprir seus pit stops. Lauda continuava impossível e vinha em terceiro, na sua melhor exibição em 1983, trazendo de Cesaris, Tambay e Derek Warwick nas posições seguintes.

Na 56ª volta, o turbo da Ferrari de Patrick Tambay se entregou, ao mesmo tempo em que a Toleman de Bruno Giacomelli, em posição perigosa na pista, pegava fogo e os comissários, sem muita intimidade com os extintores de incêndio, despejaram uma nuvem de pó químico que chegou a atrapalhar a visão dos pilotos. Pouco depois, como prêmio pela tática perfeita de corrida, Nelson Piquet tirou o pé do acelerador e permitiu a ultrapassagem de Riccardo Patrese, o novo líder.

O brasileiro, só pra humilhar Prost e companhia limitada, reduziu a pressão do turbo nas últimas voltas e deixou também que seu velho amigo Niki Lauda o superasse para chegar ao 2º lugar. Só que, a cinco voltas do fim, o motor TAG Porsche Turbo deixou Lauda a pé - após um desempenho impressionante que era um “cartão de visitas” do que aconteceria na Fórmula 1 pelos anos seguintes.

De volta ao segundo lugar, Piquet poderia optar pela dobradinha, mas permitiu também a ultrapassagem de Andrea de Cesaris. Afinal de contas, os quatro pontos da 3ª colocação já bastavam para derrotar Alain Prost por dois pontos. E no fim da manhã daquele sábado, 15 de outubro, os fãs brasileiros de automobilismo entravam em delírio quando Piquet apontou na reta, depois da passagem do vencedor Patrese e de Andrea de Cesaris, para conquistar enfim o bicampeonato mundial e entrar para a história como o primeiro campeão mundial a bordo de um carro com motor turbo.

Assista ao vídeo da corrida:

Altos e baixos

por Rafael Lopes

Hamilton está sete pontos à frente de Massa

E Lewis Hamilton, com a vitória no GP da China, chega em ótimas condições para o GP do Brasil, que será disputado no dia 2 de novembro em Interlagos. O inglês conseguiu uma vantagem de sete pontos para Felipe Massa, que o deixa na necessidade de chegar apenas na quinta posição na última corrida, mesmo que o brasileiro vença. A tarefa não é das mais complicadas, mas é sempre bom lembrar que ele tinha esta mesma diferença a seu favor no ano passado e Kimi Raikkonen sagrou-se campeão. O torcedor do brasileiro precisa torcer para o raio cair de novo no mesmo lugar.

A foto deste post resume bem o que foi a corrida para os dois postulantes ao título: um ponto alto para Hamilton e um baixo para Massa. O inglês da McLaren teve um desempenho impecável desde o primeiro treino e na prova não deu chances aos rivais. Ele sempre teve uma boa vantagem em relação aos pilotos da Ferrari, que não ameaçaram. O líder do campeonato parece também ter colocado a cabeça no lugar, pois não colocou suas chances de título em risco em nenhuma situação. Após levar tanta pancada, será que Hamilton aprendeu? No Brasil, ele terá de ser conservador.

Felipe Massa, por sua vez, nunca teve chances reais de vitória na China. Muito pelo contrário: andou em terceiro durante quase toda a corrida e só assumiu o segundo lugar por causa do jogo de equipe da Ferrari - justificado, por sinal. A equipe italiana repetiu o que a McLaren fez no GP da Alemanha, quando mandou Kovalainen diminuir para não atrapalhar a reação do inglês. Na ocasião, Hamilton venceu a corrida. No caso do Japão, esses dois pontos podem ser de suma importância no desempate e o brasileiro tem melhor desempenho.

domingo, 19 de outubro de 2008

Será em interlagos a decisão...

Pelo quarto ano consecutivo, o título mundial da Fórmula 1 será decidido no Brasil. E será também a primeira vez que um brasileiro vai disputar em casa para ser o número um da categoria máxima do automobilismo mundial. Felipe Massa chegou em 2º lugar no sonolento GP da China, disputado nesta madrugada em Xangai, e chegou a 87 pontos no campeonato. A vitória foi de Lewis Hamilton, que desta vez não cometeu nenhum erro e soma sete pontos de vantagem sobre o brasileiro.

A corrida foi desprovida de grandes emoções, até porque muita gente que torcia contra se frustrou com a largada perfeita de Hamilton. Ele não deu brecha pra Räikkönen e conservou o primeiro lugar, à frente da dupla da Ferrari e chegou à curva 1 na frente. Heikki Kövalainen ultrapassou a Renault de Fernando Alonso, mas o bicampeão mundial recuperou rapidamente a quarta posição. Mais atrás, no único incidente sério da corrida, Jarno Trulli e Sébastien Bourdais se enroscaram, com o piloto da Toyota levando a pior para abandonar a corrida.

A corrida foi totalmente dominada pelos carros prateados porque, mesmo quando Hamilton foi aos boxes para o primeiro reabastecimento, a liderança ficou com Heikki Kövalainen por três voltas. Mais tarde, o finlandês abandonaria a corrida em razão de um furo de pneu, o que lhe impossibilitou chegar aos boxes para a troca.

Na verdade, a liderança sossegada do piloto da McLaren se deveu ao fato de que a Ferrari, ao contrário de outros anos, não conseguiu fazer seu carro render no circuito chinês. Em contrapartida, a dupla da BMW foi uma das únicas que conseguiu avançar na classificação após o resultado mediano dos treinos: Nick Heidfeld veio da nona para a 5ª colocação final e Robert Kubica foi de 11º para sexto - resultado que o eliminou completamente da briga pelo título.

No fim da corrida, com Hamilton isolado na liderança, restou o jogo de equipe à Ferrari: Räikkönen, que vinha em segundo, foi permitindo a aproximação de Felipe Massa até que o brasileiro, a oito voltas do fim, trocou de posição com o finlandês. Afinal de contas, sete pontos de desvantagem são, sem dúvida, melhor do que nove. E os italianos não são bestas de entregar o ouro para a rival McLaren.

Com quase 15 segundos de vantagem para Massa, Hamilton venceu sua 9ª prova na carreira, além de conquistar seu segundo hat trick no ano - pole position, vitória e melhor volta. No Mundial de Construtores, a Ferrari abriu 11 pontos para a McLaren e dificilmente perde o título. A Renault, com o quarto lugar de Alonso e o oitavo de Nelson Ângelo Piquet, confirmou também sua posição na tabela.

Rubens Barrichello, que silenciosamente vai se despedindo da Fórmula 1, fez uma corrida combativa e com dignidade, mas com o carro ruim que tem, foi longe demais. Chegou em 11º, cinco posições na frente do companheiro de equipe, Jenson Button.

Veja como será a decisão

Lewis Hamilton tem o favoritismo matemático na briga pelo título mundial de pilotos. Com 94 pontos somados contra 87 de Massa, a ele basta chegar na frente de Felipe que o título está garantido. Ou, na pior das hipóteses, terminar em 5º lugar desde que o brasileiro não termine em Interlagos.

Para Massa, restam poucas alternativas: a principal é descontar os exatos sete pontos que os separam na classificação. Para isto, Massa precisa de uma vitória e de um sexto lugar de Hamilton. Ou de uma 2ª posição com o britânico em oitavo, porque, com o mesmo número de pontos do rival, Felipe leva a taça no critério de desempate. Na pior das hipóteses, com Lewis não pontuando, Massa precisa vencer ou chegar em segundo para ser campeão.

Sincera e honestamente, espero que os dois se comportem de forma cavalheiresca e façam uma disputa digna pelo título. E que vença o melhor!

sábado, 18 de outubro de 2008

Lewis Hamilton é pole, e Felipe Massa sai em terceiro no GP da China





Agência

Lewis Hamilton vai largar na pole position do GP da China, que será disputado neste domingo no circuito de Xangai. O inglês da McLaren, líder do campeonato, foi 0s586 mais rápido que Felipe Massa, que larga na terceira posição. Kimi Raikkonen, companheiro do brasileiro na Ferrari, marcou o segundo tempo no treino classificatório.

Fernando Alonso, da Renault, vencedor dos GPs de Cingapura e do Japão, marcou o quarto tempo, uma posição à frente do finlandês Heikki Kovalainen, companheiro de Hamilton na McLaren. O alemão Nick Heidfeld, da BMW Sauber, sai na sexta posição, seguido pelo compatriota Sebastian Vettel, da STR.

Jarno Trulli, da Toyota, conseguiu o oitavo tempo no treino classificatório e Sebastien Bourdais, o nono. Mark Webber, que era o sexto, teve de trocar o motor antes do treino classificatório e perdeu dez posições no grid de largada. Com isso, o australiano da RBR começa a corrida apenas na 16ª colocação.

Veja o que é necessário para a decisão vir para o GP do Brasil

Última etapa da temporada 2008, o GP do Brasil pode decidir, pela quarta vez seguida o campeão da Fórmula 1. No entanto, o resultado do GP da China terá de colaborar para que a festa do título seja realizada novamente em Interlagos, como aconteceu em 2005 e 2006, com Fernando Alonso; e em 2007, com Kimi Raikkonen. Mas você sabe o que é necessário para disputa vir para cá?

arte/Montagem sobre foto da Reuters

Massa x Hamilton: saiba o que o piloto da Ferrari precisa para ser campeão em casa, no GP do Brasil

Com cinco pontos de vantagem sobre Felipe Massa no campeonato (84 a 79), Lewis Hamilton precisa fazer seis a mais que o brasileiro no GP da China. Ou seja, em caso de vitória, o inglês precisa torcer para que o piloto da Ferrari chegue abaixo da quinta posição.

Se Hamilton for o segundo colocado, ele terá de torcer para que Massa chegue da sétima posição para baixo. Em caso do inglês terminar a corrida em Xangai em terceiro, o brasileiro não pode pontuar. Com o piloto da McLaren abaixo da quarta posição, a decisão obrigatoriamente vem para o GP do Brasil.

Como está em desvantagem, Massa não tem chances de assegurar o título na China. Mas pode chegar no GP do Brasil em melhor condição do que a atual. Para depender apenas de seu resultado em Interlagos, o brasileiro da Ferrari precisa fazer pelo menos três pontos a mais que Hamilton. Ou seja, os dois não podem chegar em posições coladas (1º e 2º; 2º e 3º; e assim por diante).

Vale lembrar que Robert Kubica, 12 pontos atrás de Hamilton, ainda tem chances matemáticas de conquistar o título deste ano. Para o polonês chegar ao GP do Brasil com chances, ele tem de fazer três pontos a mais que o inglês na China, além de conseguir, no máximo, dois a menos que Felipe Massa.

sexta-feira, 17 de outubro de 2008

Quiz Fórmula 1 (I)

Responda a pergunta corretamente e concorra a um brinde do Giro Esportivo.

Pergunta da semana:

Quais os pilotos brasileiros que fizeram a 1ª dobradinha verde-amarela na F1? Não esqueçam de dizer em qual GP e em que ano isso aconteceu.

Participe, mande sua resposta para timacodapaixao@yahoo.com.br

A resposta sai no dia 23/10. Será uma pergunta por semana. Fique ligado e participe.

Só vale uma resposta por internauta.

Não esqueça de colocar o nome, o bairro e cidade. Se houver mais de um ganhador, haverá um sorteio para definir quem leva o brinde.

Pilotos voltam a criticar comportamento de Hamilton nas pistas

O atual líder da Fórmula 1, Lewis Hamilton, viu seu estilo de pilotar ser novamente questionado na quinta-feira, em Xangai, dia em que surgiram reclamações sobre o comportamento dele nas pistas.

Jarno Trulli, da Toyota, e Mark Webber, da Red Bull, questionaram a conduta ao volante do piloto da McLaren, realizando críticas semelhantes àquelas vindas recentemente de Robert Kubica, da BMW-Sauber.

Trulli, da Itália, afirmou ao site autosport.com ter ficado insatisfeito porque o britânico impediu sua passagem quando tentou colocar uma volta sobre ele no Grande Prêmio do Japão, na semana passada. Hamilton, 23, pode se transformar no mais jovem campeão da categoria no próximo fim de semana.

"Lewis nem sequer olhou o espelho retrovisor porque ele voltou para a pista bem na minha frente e me segurou por duas voltas", disse Trulli.

"Eu vou à reunião dos pilotos (na sexta-feira) e vou dizer para Charlie (Charlie Whiting, diretor de prova) o que aconteceu. Eu acho que Lewis poderia ter se comportado de uma forma diferente porque aquilo não foi justo."

Webber, o australiano que no ano passado acusou Hamilton de dirigir de forma perigosa atrás do safety car em Fuji, afirmou que a arriscada largada do britânico no Japão, no domingo passado, era motivo de preocupação.

"As áreas de escape são uma questão porque não se pode ingressar nas áreas de escape daquela forma", afirmou Webber, um dos diretores da Associação dos Pilotos de Grandes Prêmios.

"Nós perdemos um fiscal de prova em Monza quando alguns dos caras começaram a entrar na área de escape. E é muito difícil mudar de trajeto se você não sabe o que está por vir. É para isso que temos de estar atentos."

O fiscal de pista Paolo Ghislimberti foi morto por um pneu depois de um engavetamento ocorrido na segunda chicane do Grande Prêmio de Monza, em 2000.

"A primeira curva de Fuji é bastante violenta", disse Webber. "Ele estava se divertindo, mas, se alguém estivesse na traseira direita dele quando ele saiu, então teria havido uma colisão."

"Queremos conversar a respeito de ficar usando as áreas de escape", acrescentou o australiano.

"Eu não vou ficar massacrando Hamilton, mas o que importa é a forma com que as pessoas evoluem. Tiger Woods aprendeu. Roger Federer aprendeu. E Lewis está passando por isso."

Kubica, que sofreu um acidente violento no Canadá, no ano passado, e questionou a forma como Hamilton dirigiu em Monza, em setembro, explicou sua opinião na quinta-feira.

"Quando um piloto está ultrapassando um outro e cruza a trajetória bem na frente das rodas, isso é muito perigoso, especialmente se alguém que vem atrás acaba sendo atirado para cima", afirmou em uma entrevista coletiva.

"Eu já me envolvi em um acidente desse tipo no Canadá e eu sei o que acontece quando a roda da frente atinge a roda de trás de um outro carro. E, do meu ponto de vista, isso é muito perigoso."

"Quero dizer apenas isto: enquanto nada de errado acontecer, tudo estará bem. Mas, se alguma coisa acontecer, então todo mundo perceberá o que estou dizendo. É isso."

Hamilton, que não conseguiu marcar pontos em Fuji, lidera a classificação individual, cinco pontos à frente do brasileiro Felipe Massa, da Ferrari. Faltam duas corridas para terminar o campeonato.

Hamilton pode até ser campeão domingo, mas emocionalmente Massa está na frente


por Livio Oricchio

Lewis Hamilton acusou o golpe nas duas vezes em que se viu envolvido na disputa do título: ano passado, em Interlagos, perdeu a posição depois da largada para Fernando Alonso, seu companheiro de McLaren, e na tentativa de ganhar a colocação de novo seguiu reto no Lago. Kimi Raikkonen começou a ser campeão nesse momento. Domingo, no GP do Japão, novamente na condição de concorrer direto pelo campeonato, Hamilton demonstrou mais descontrole emocional. Ao ser ultrapassado por Kimi Raikkonen, no início da corrida, tentou frear tão tarde no fim da reta que não fez a curva 1 e criou enorme confusão. Ontem não gostou de ser lembrado do seu histórico de equívocos nos momentos de tensão.

“Em primeiro lugar, no Brasil, ano passado, eu não tentei ultrapassá-lo (Fernando Alonso) e cometi um erro. Fernando estava do lado de fora (Reta Oposta), freou antes e para evitar bater nele fui obrigado a sair da pista, portanto não era uma tentativa de ganhar novamente a posição”, explicou Hamilton, visivelmente irritado. A respeito do ocorrido no circuito de Fuji, domingo, quando não marcou pontos apesar de largar na pole position, disse: “Foi uma manobra de corrida e não deu certo, automobilismo é isso, o que se pode fazer?”

A perda do título em 2007 e estar seguindo, agora, o que sugere ser o mesmo caminho não geram nenhuma preparação especial no piloto da McLaren. “Não planejo mudar minha forma de encarar as corridas, não vejo necessidade disso”, afirma Hamilton. “Um desempenho tão ruim como o último faz com que o deixemos para trás, sinto-me forte como sempre”, falou. “Temos ainda duas etapas pela frente, estou com cinco pontos de vantagem (84 a 79), disponho ainda de grande oportunidade para o próximo passo (ser campeão).”

Na realidade, Hamilton sente-se um tanto isolado na Fórmula 1. Sua postura depois do GP da Bélgica, em que se colocou numa condição superior aos colegas, criticando Raikkonen, somada ao seu comportamento agressivo demais na prova de Monza, recebendo até ameaças, como de Timo Glock, da Toyota, fazem com que não tenha grandes amizades na Fórmula 1.

Alonso, por exemplo, já declarou que se for possível ajudará Felipe Massa na luta pelo título. “Agora que a Renault voltou a ser competitiva dá para ser segundo ou terceiro, atrás de Felipe, o que é uma forma de tirar pontos do seu concorrente”, falou Alonso. Hamilton ouviu tudo sentado do lado. “Não disponho de tempo para pensar nisso, tenho coisas mais importantes para pensar”, respondeu Hamilton que, desta vez, está falando bem menos que nos outros fins de semana em que se deu mal.

Massa não concorda com essa história de que as possibilidades de Hamilton errar são maiores que as suas. “O fato de já ter acontecido isso antes não quer dizer que aqui será assim também, o Hamilton pode fazer tudo certo”, comentou Massa. Sua estratégia é uma só: “Estar sempre à frente do Hamilton. Largar na pole é uma forma de evitar alguns problemas que tivemos na última corrida”, lembrou. Na próxima madrugada (sexta-feira para sábado, das 3 às 4 horas, Massa terá a chance de tentar ser primeiro no grid do GP da China.

segunda-feira, 13 de outubro de 2008

Massa faz corrida espetacular e reduz a diferença para Hamilton

Lewis Hamilton, da McLaren, pode até conquistar o título já no GP da China, domingo, mas ontem na corrida de Fuji, no Japão, aprontou mais uma quando a disputa se torna decisiva: errou na largada, provocou enorme confusão e não marcou ponto algum. Felipe Massa, da Ferrari, pôde aproveitar pouco seu equívoco e terminou em sétimo, reduzindo a diferença entre ambos na classificação para 5 pontos, 84 a 79.O espanhol Fernando Alonso, da Renault, deu outro show de competência e venceu a antepenúltima etapa do campeonato.

A segunda temporada de experiência na Fórmula 1, este ano, parece não estar sendo muito útil a Hamilton na hora de colocar-se na situação de poder ser campeão. A exemplo do desempenho comprometedor no final do último Mundial, que o levou a perder o título para Kimi Raikkonen, da Ferrari, ontem Hamilton jogou tudo a perder ao procurar recuperar na freada da primeira curva a liderança da prova perdida para Kimi Raikkonen, da Ferrari. Brecou tão tarde que seguiu reto e levou consigo vários adversários.

“A punição foi justa, claro, largou mal, o Kimi já o havia ultrapassado e ele colocou o Kimi para fora”, disse Massa sobre o drive-through imposto a Hamilton, que acabou em 12º. Mas o piloto da McLaren caiu apenas de primeiro no grid para sétimo e já na segunda volta tentou ultrapassar Massa para assumir o quinto lugar porque já havia deixado para trás Nelsinho Piquet, da Renault, ótimo quarto no final. “Eu freei tarde na curva 10 e passei um pouco da curva”, disse Massa para explicar o que se passou e também gerou enorme polêmica.

“O Hamilton colocou o carro por dentro, fizemos a curva juntos e ele me empurrou para a grama. Mas a outra curva era para a esquerda, o meu lado, e acabamos nos tocando”, descreveu. “Acabei levando um drive-through também, mas vi como um incidente de corrida”, falou Massa. A manobra de Massa, apesar de involuntária, fez Hamilton cair para o último lugar, o que gerou a punição criteriosa ao piloto da Ferrari, cumprida na 19ª volta, de um total de 67, uma depois de seu primeiro pit stop.

Massa caiu para a 14ª colocação. Mesmo com o tanque cheio até o limite, seu ritmo é elevado. Realiza várias ultrapassagens e na 53ª volta, quando faz a segunda parada, é o oitavo. Perde as posições para Nick Heidfeld, BMW, e Mark Webber, Red Bull, ambos na estratégia de apenas um pit stop, mas a seguir Massa passa a estabelecer tempos impressionantes na pista de 4.563 metros, como 1min18s426, o melhor da corrida, na 55ª volta. “Diante de tudo o que aconteceu, um ponto era o que queria, meu carro simplesmente voava, hoje”, falou o piloto.

Mas precisaria ultrapassar Heidfeld e Webber para voltar à oitava colocação. O alemão ficou para trás na 61ª volta e o australiano, na 64ª. Massa registra as sete primeiras melhores voltas do GP do Japão e consegue o ponto que tanto desejava. Horas depois da prova, recebe a notícia de que os comissários decidiram punir o francês Sebastien Bourdais, da Toro Rosso, sexto colocado, com o acréscimo de 25 segundos ao tempo de corrida. Na 50ª volta, Bourdais deixou os boxes depois do segundo pit stop e entrou na trajetória de Massa na primeira curva, provocando um choque e uma rodada do piloto da Ferrari. A decisão foi bastante questionada no paddock. Assim, Massa subiu para sétimo e somou 2 pontos.

“Não dá para sair daqui de cabeça-baixa, achando que foi um desastre, já que consegui recuperar alguma coisinha, somei pontos e o Hamilton não”, comentou Massa. E fez um pedido surpreendente à imprensa brasileira: “Vocês também vão ter de vestir a camiseta e mostrar força, como os jornalistas ingleses estão fazendo pelo piloto do país deles.” E como já havia adiantado, lembrou que lutará até o fim: “Daremos tudo de nós nas duas corridas finais, demonstramos enorme potencial para vencê-las, a questão é poder desfrutar dessa vantagem”, afirmou Massa.

Punições polêmicas

Por Rafael Lopes

Mais uma corrida nesta temporada foi marcada por punições a pilotos por causa de manobras na pista. Lewis Hamilton, Felipe Massa e Sebastien Bourdais receberam penas dos comissários de prova por causa de supostos exageros no GP do Japão. Com isso, o resultado da prova teve diferenças marcantes em relação ao da bandeirada. Com o acréscimo de tempo ao francês da STR, por exemplo, o brasileiro da Ferrari deixou a vantagem do rival inglês em apenas cinco pontos a duas voltas do fim. Vamos a uma breve análise delas.

- Hamilton, na largada: Achei que o inglês exagerou na largada e realmente espalhou para cima de Kimi Raikkonen. Na manobra, ele já teve um grande prejuízo, pois caiu várias posições na classificação, mas o finlandês, sem culpa no incidente, também foi prejudicado. Para mim, a justificativa dos comissários é plausível, mas achei a punição um pouco exagerada. Mas é fato que o inglês colocou os outros pilotos do grid em risco.

- Massa, no incidente com Hamilton: Punição justíssima. O brasileiro abriu demais a tangência da primeira parte da chicane (”embarrigou” a curva), tentou se recuperar ao subir na zebra, mas acabou acertando o meio do carro de Hamilton. O drive through ficou de bom tamanho.

- Bourdais, no incidente com Massa: Das três, a mais injusta. Bourdais saía dos boxes e manteve sua trajetória correta. Massa tentou ganhar tempo e ultrapassá-lo por fora, mas não conseguiu. Para mim, um incidente normal de corrida, mas os comissários não concordaram com essa análise.

Em suma, são três punições polêmicas, que dariam margem a interpretações diferentes e conflitantes (como aconteceu realmente). Agora, dizer que existe uma iniciativa da Federação Internacional de Automobilismo (FIA) para prejudicar Hamilton é um pouco de exagero. As duas situações em que o inglês se envolveu foram causadas por seu excesso de afobação. Mas isso é o assunto do próximo post.

O gigante de Fuji...

Por Rodrigo Mattar

Os outros 19 pilotos do Mundial de Fórmula 1 ficaram pequenininhos diante de Fernando Alonso no Grande Prêmio do Japão, na madrugada deste domingo. Afinal de contas, o espanhol consegue a façanha de vencer duas corridas consecutivas com um carro que até há poucas corridas atrás já era considerado da quinta ou sexta equipe da categoria em termos de competitividade.

Nada menos exato: como já dito por mim em outras ocasiões, Alonso trabalha febrilmente dentro e fora das pistas. Nos bastidores, incentiva para que os engenheiros melhorem mais o R28. No asfalto, corresponde com uma pilotagem impecável - e basta ver o que ele fez em três das últimas quatro corridas (Spa, Cingapura e agora aos pés do Monte Fuji). Afora que ele tem uma “leitura de corrida” como poucos. Neste quesito, Alonso talvez seja disparado o melhor de todos.

É bem verdade que a vitória dele se deveu a uma primeira volta caótica para todos os pilotos de McLaren e Ferrari, mas os méritos de Alonso estão em saber também capitalizar os erros alheios a seu favor. Especialmente porque na largada, Lewis Hamilton partiu mal da pole position e na primeira curva freou tão forte que Kimi Räikkönen e Felipe Massa saíram fora do traçado. Com o carro totalmente descompensado, o líder do campeonato perdeu posições para Robert Kubica, Alonso, Heikki Kövalainen e para a dupla da Ferrari - Räikkönen e Massa. Tudo o que Lewis não queria.

E na primeira volta ele foi com apetite para ultrapassar o brasileiro - que exagerou na dose. Numa curva de baixa, quando Hamilton já tinha feito a ultrapassagem, Massa entrou com duas rodas na grama… e pimba!… acertou em cheio a McLaren do britânico, que rodou e caiu para penúltimo.

A FIA, com a ineficácia de sempre, demorou uma eternidade para anunciar que o incidente estava sob investigação. Mas também resolveu aprontar novamente: botou na berlinda o ocorrido da primeira volta. E puniu não só Massa (de forma justa) como também a Hamilton (de forma injusta, na minha opinião) com um drive through que prejudicou a corrida dos dois.

Nesta altura, quando Kubica fez sua primeira parada e Alonso também, a Renault resolveu jogar com uma estratégia diferenciada: com menos gasolina no tanque, o espanhol foi pra pista com a missão de abrir suficiente vantagem para ganhar a liderança do polonês quando os dois parassem novamente. A tática deu certo e Fernando não mais perdeu a liderança.

A equipe também acertou na tática de Nelson Ângelo Piquet, que fez uma corrida quase perfeita, sem erros de monta e uma pilotagem limpa e precisa - ajudada pela estratégia e por um carro sempre rápido. O brasileiro chegou a liderar algumas voltas e após o segundo pit, passou por Jarno Trulli para assumir de vez a quarta posição.

Enquanto Kimi Räikkönen tentava - e não conseguia - ajudar Felipe Massa na disputa pela 2ª posição com Robert Kubica, Massa fazia seu papel na pista. Vinha rápido e no fim da reta, acabou dividindo uma curva com Sébastien Bourdais. Os dois se tocaram e o brasileiro rodou, num incidente claramente normal. Massa ainda faria seu pit para voltar à corrida em oitavo, quando ultrapassou Mark Webber de forma super agressiva.

Porém, os comissários foram rigorosos demais com o francês da Toro Rosso, aplicando-lhe uma punição de 25 segundos que lhe custou a sexta posição, o que elevou Massa para sétimo. Com os dois pontos somados e Lewis Hamilton zerado em Fuji, a diferença entre eles baixou para somente cinco. Mas há um detalhe: Robert Kubica voltou a ter chances matemáticas. Com 72 pontos, o polonês da BMW voltou a aspirar com um - até aqui - improvável título.

Mas nada que apagasse a corrida perfeita de Fernando Alonso, o Gigante de Fuji. No pódio, comemorando muito a 21ª vitória de sua carreira - e o melhor fim de semana da Renault na temporada de 2008 - ele teve novamente a Fórmula 1 e o Monte Fuji aos seus pés.

sexta-feira, 10 de outubro de 2008

Timo Glock é o mais veloz do 2.º treino livre do GP do Japão

O alemão Timo Glock, da Toyota, foi o mais rápido da segunda sessão de treinos livres do Grande Prêmio do Japão de Fórmula 1. O brasileiro Felipe Massa, da Ferrari, terminou na quarta posição.

Glock cravou sua volta mais rápida em 1min18s383, somente 43 milésimos de segundo à frente do espanhol Fernando Alonso, da Renault, que terminou em segundo.

O inglês Lewis Hamilton, da McLaren, que de manhã tinha sido o mais rápido, acabou em terceiro, com 1min18s463. Massa terminou em quarto com um tempo de 1min18s491.

O também brasileiro Nelsinho Piquet, da Renault, terminou na 12ª posição, com um tempo de 1min18s888, enquanto Rubens Barrichello, da Honda, fez sua volta mais rápida em 1min19s258 e acabou na 15ª colocação.

Os tempos desta segunda sessão de treinos livres, disputada com céu claro, foram os seguintes:

1.Timo Glock (ALE/Toyota) - 1min18s383
2.Fernando Alonso (ESP/Renault) - 1min18s426
3.Lewis Hamilton (ING/McLaren) - 1min18s463
4.FELIPE MASSA (BRA/Ferrari) - 1min18s491
5.Kimi Raikkonen (FIN/Ferrari) - 1min18s725
6.Mark Webber (AUS/Red Bull Racing) - 1min18s734
7.Kazuki Nakajima (JAP/Williams) - 1min18s734
8.Sebastian Vettel (ALE/Toro Rosso) - 1min18s761
9.Heikki Kovalainen (FIN/McLaren) - 1min18s803
10.Jarno Trulli (ITA/Toyota) - 1min18s863
11.Robert Kubica (POL/BMW-Sauber) - 1min18s865
12.NELSINHO PIQUET (BRA/Renault) - 1min18s888
13.Nico Rosberg (ALE/Williams) - 1min18s981
14.Sebastien Bourdais (FRA/Toro Rosso) - 1min19s040
15.RUBENS BARRICHELLO (BRA/Honda) - 1min19s258
16.Adrian Sutil (ALE/Force India) - 1min19s287
17.David Coulthard (ESC/Red Bull Racing) - 1min19s327
18.Giancarlo Fisichella (ITA/Force India) - 1min19s482
19.Nick Heidfeld (ALE/BMW-Sauber) - 1min19s894
20.Jenson Button (ING/Honda) - 1min19s999

quinta-feira, 9 de outubro de 2008

Barrichello desaconselha Bruno Senna a ir para Honda


O piloto brasileiro Rubens Barrichello desaconselhou Bruno Senna, vice-campeão da GP2 nesta temporada, a ir para a Honda. Sem dar maiores explicações, Rubinho afirmou que a ida de Bruno para equipe japonesa poderia "queimar o cartucho" do piloto na Fórmula 1.

"Sei que a equipe [Honda] está falando com ele. Se eu pudesse, como uma pessoa que gosta da família Senna, dizer algo, eu diria para não vir para cá como piloto. E nem é pelo meu caso. Com a pouca experiência do Bruno seria queimar um cartucho", afirmou Rubinho.

Apesar de descartar Bruno para a equipe, Barrichello demonstrou preocupação com a demora em definir seu futuro. "Eu nunca passei por essa situação. Sempre, bem antes do fim do campeonato, eu já estava de contrato assinado e até agora não tenho nada."

O piloto, de 36 anos, também descartou a aposentadoria. "Não estou preparado para a aposentadoria, não penso nisso, trabalho com a possibilidade de continuar correndo", concluiu.

Neste final de semana, a Fórmula 1 chega ao Japão para a 16.ª prova da temporada. Até aqui, Rubens Barrichello pontuou em três das 15 provas disputadas - foi sexto em Mônaco, sétimo no Canadá e terceiro no GP da Grã-Bretanha -, enquanto seu parceiro, o britânico Jenson Button, marcou somente três pontos, com o sexto lugar na corrida de Barcelona.

Hamilton diz que está pronto para ser campeão na F-1

Em sua segunda temporada na Fórmula 1, o inglês Lewis Hamilton já fala como veterano. Líder do Mundial com 84 pontos, sete à frente de Felipe Massa, o piloto da McLaren disse nesta quinta-feira que ganhou muita experiência com a derrota em 2007, e agora sente-se pronto para ser campeão.

"No ano passado eu ficava nervoso antes das corridas. Agora não sinto mais isso. Estou muito mais forte, tanto no aspecto físico quanto psicologicamente. No ano passado, nesta época do ano, eu estava exausto", afirmou Hamilton, que acabou com o vice-campeonato, a um ponto de Kimi Raikkonen.

"Aprendi com os erros e cresci muito como piloto. Estou mais maduro como piloto. No passado eu era um pouco mais jovem e muito empolgado pelo fato de ter acabado de chegar à Fórmula 1. Havia muita coisa acontecendo, era um período controverso e eu tinha muita coisa para aprender", avaliou o inglês.

Em seu ano de estréia, Hamilton teve de enfrentar uma briga intensa com Fernando Alonso dentro da equipe. Não bastasse a disputa interna, a escuderia inglesa ainda envolveu-se em um caso de espionagem industrial contra a Ferrari, o que fez os ingleses perderem todos os pontos no Mundial de Construtores.

Mesmo após todos os problemas na equipe, Hamilton chegou a Interlagos, na última etapa do campeonato, com 107 pontos, quatro à frente de Fernando Alonso e com sete de vantagem para Kimi Raikkonen. Acabou a prova em sétimo, e o Mundial com 109 pontos, empatado com Alonso e um ponto atrás do finlandês.

sexta-feira, 3 de outubro de 2008

O auge da prepotência

por Rafael Lopes



“Sei que sou tão bom quanto Ayrton Senna foi”. Esta frase de Lewis Hamilton, em entrevista à TV alemã RTL, está causando muita polêmica no mundo do automobilismo. Não é o primeiro arroubo de arrogância do inglês; no julgamento de sua punição em Spa-Francorchamps, ele já tinha dito que era o melhor piloto da Fórmula 1 atual. Como eu disse na época, uma coisa é confiar em suas habilidades. Outra completamente diferente é ser prepotente. Na maioria das vezes, exagerar na autoconfiança causa mais problemas do que benefícios.

Fui um entre os que ficaram admirados com o talento de Hamilton na primeira temporada. Mas o brilho aos poucos foi se esvaindo em meio a erros e afirmações fora de hora. Tudo começou com aquela história de sua autobiografia, que foi anunciada como a do campeão do mundo de 2007 e começou a ser vendida três corridas antes do fim da temporada. Depois disso, pudemos assistir à seqüência de erros no fim da temporada e à perda do título para Kimi Raikkonen. Ao mesmo tempo, sua postura na briga com Alonso na McLaren foi duvidosa.

A declaração de Hamilton à TV alemã é complicada. Acho que o inglês tem muito talento, mas ainda não ganhou nada. Ayrton Senna foi um dos maiores pilotos da história da Fórmula 1 e é venerado no Brasil e na Europa (pude ver isso com meus próprios olhos quando estive em Donington Park, no mês passado). O piloto da McLaren tem potencial para marcar seu nome no automobilismo. Só que ainda é muito cedo para declarações como essa. Ainda mais neste momento da briga pelo título mundial. É, no mínimo, uma estupidez de sua parte.

Uma chance de ouro

por Rafael Lopes
A notícia, surgida nesta semana, de que Lucas di Grassi poderia assumir uma vaga na Renault em 2009 me deixou muito feliz. O brasileiro, que conseguiu duas temporadas com muito destaque na Fórmula GP2 e faz parte do Programa de Desenvolvimento de Pilotos da Renault (Renault Driver Development - RDD), comandou os últimos testes da equipe francesa na temporada 2008, no circuito espanhol de Jerez de la Frontera, e deixou os engenheiros maravilhados com as informações trazidas de dentro da pista.

A Renault, inclusive, utilizou as informações do brasileiro em Jerez para fazer o ajuste dos carros para o GP de Cingapura, onde Fernando Alonso voltou a vencer após um ano. O espanhol fez questão de dizer que o acerto para a primeira corrida noturna era o melhor do ano. Ponto para Lucas di Grassi. Além disso, este será um grande passo à frente em sua carreira. Após dois anos na GP2, seria um passo atrás ficar como reserva da equipe francesa em 2009. Outro fator importante é que seu estilo de pilotagem é bastante semelhante ao do bicampeão, que deverá ficar mais uma temporada no time. Seria uma dupla enjoada de se bater.

O único fator ruim da possível ida de Lucas di Grassi para a Renault é que Nelsinho Piquet seria sacado da vaga de titular. O fato é que o brasileiro, filho do tricampeão Nelson Piquet, não fez uma boa temporada, com vários abandonos causados por seus erros. Para piorar, seu desempenho ainda foi comparado ao de Fernando Alonso, o que é muito ingrato para um estreante. Em caso da saída se confirmar, resta torcer para ele arrumar uma vaga em outra equipe, nem que seja como reserva. Assim, ele poderá voltar à F-1 em 2010 mais maduro.

quinta-feira, 2 de outubro de 2008

Brasileiro Bruno Senna pode fechar com a Honda para 2009

O brasileiro Bruno Senna, atual vice-campeão da GP2 (categoria criada para revelar talentos à Fórmula 1), pode fechar contrato com a Honda para 2009. No entanto, pelo menos por enquanto, é maior a possibilidade de que ele se torne piloto de testes da escuderia.

A equipe japonesa, atualmente com Rubens Barrichello (BRA) e Jenson Button (ING), está muito mal no atual Mundial de Fórmula 1. Entre os construtores, ocupa a nona e antepenúltima posição, com apenas 14 pontos (11 de Barrichello e três de Button).


Por isso, a escuderia está disposta a fazer mudanças para a próxima temporada. Os dois pilotos não têm contrato garantido. A equipe já demonstrou interesse no espanhol Fernando Alonso, da Renault, e no alemão Nick Heidfield, da BMW.

Já o sobrinho do ídolo brasileiro Ayrton Senna foi elogiado nos últimos dias pelo diretor executivo da Honda, Nicky Fry. Mesmo assim, é difícil que ele assuma uma vaga de piloto titular.

No início desta semana, Bruno Senna afirmou que está preparado para chegar à Fórmula 1. "Se eu tiver a chance de ser titular, o que inclui a tarefa de desenvolver o carro e o envolvimento com a equipe, cada quilômetro rodado será valioso e poderei acelerar meu aprendizado. Para ser sincero, não será uma situação nova para mim. Tem sido assim desde que cheguei à Europa", declarou.

A Toro Rosso também estaria interessada no trabalho do brasileiro, mas a escuderia italiana está mais perto de fechar com o suíço Sebastien Buemi.

Bruno Senna é o atual vice-campeão da GP2